Acredito que apenas algumas pessoas já ouviram falar de Assédio Moral, já que o tema é relativamente novo. Vem sendo estudado, no Brasil, a cerca de mais ou menos dez anos. É tão recente que o termo é desconhecido por muitos, sendo o termo “Assédio Sexual” o mais conhecido e divulgado. Este é uma das modalidades de Assédio Moral, por representar uma conquista das mulheres nas relações de trabalho.
Na contemporaneidade, as relações de trabalho estão mais acirradas e as exigências profissionais estão cada vez mais especializadas. Neste contexto, a globalização surge como alavancadora de novos modelos e padrões nas relações de trabalho. No Brasil, a contribuição de modelos internacionais é fundamental para que se desenvolvam novos padrões éticos nas relações de trabalho. A partir de convenções internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dentre outras, no Brasil, empresas e instituições públicas e privadas têm aprimorado seus códigos e as casas legislativas têm editado leis que regulamentam o tema. Portanto, existe uma percepção mundial de que o Assédio Moral representa um risco pouco evidente, porém concreto, que desequilibra relações de trabalho, promove a degradação dessas relações e que contribui para o aumento das despesas públicas e privadas com o sistema de saúde e de seguridade social.
Por se tratar de um termo relativamente recente, sua definição ainda não é muito precisa, variando um pouco entre os autores. Segundo Margarida Barreto, é “a exposição prolongada e repetitiva a condições de trabalho que, deliberadamente, vão sendo degradadas. Surge e se propaga em relações hierárquicas assimétricas, desumanas e sem ética, marcada pelo abuso de poder e manipulações perversas. Assim, pode-se perceber que o Assédio Moral está bem perto. Acredito que, se não fomos vítimas de algumas das situações descritas acima, pelo menos ouvimos alguém contar um caso pessoal que retratasse um Assédio Moral sofrido. Mas não é somente isso, qualquer tipo de ação (perseguição, humilhação repetitiva, exposição negativa ou sobrecarga de trabalho) no sentido de colocar o profissional em situação vexatória, constrangedora ou que atinjam a sua dignidade, sua identidade e suas relações afetivo-emocionais, também representam formas de Assédio Moral.
Além da falta de informação, a cultura organizacional implantada nas empresas e instituições estatais favorecem o Assédio Moral, uma vez que alimentam o imaginário do trabalhador com a idéia de que gritos, maus tratos, cerceamento de direitos e exigências abusivas são normais. Tais situações passam a fazer parte de uma cultura que é passada dos profissionais mais experientes para os mais novos, a uniformização do comportamento no ambiente de trabalho é vista como um valor que deve ser defendido pelos profissionais mais experientes. Pois, para manter um bom relacionamento com colegas e superiores, evitando “desgastes desnecessários”, aceitam tais situações e acabam por repreender e “alertar” aqueles que fazem o contrário. O jargão “O prego que aparece toma a martelada” ilustra algumas dessas situações. O resultado disto é a insatisfação profissional, o desenvolvimento de doenças psicofísicas, o suicídio, a inibição profissional, etc.O Assédio Moral pode ser praticado nas seguintes modalidades: a vertical, que está relacionada a práticas envolvendo superior e subordinado e o inverso, devido ao cargo e a função, e a horizontal, que ocorre entre pares. O assédio que vem da hierarquia superior pode ser classificado em perverso, quando praticado com o objetivo de eliminação do outro ou da valorização do próprio poder; estratégico, que se destina a forçar o empregado a pedir contas, e institucional, que é um instrumento de gestão do conjunto pessoal. O que define o assediador é a má utilização do seu poder e prestígio sobre os demais profissionais. O Assédio Moral é difícil de ser comprovado, por necessitar de testemunhas, por ocorrer de forma discreta, por não ser um crime tipificado, ainda, e por ser visto com normalidade por muitos.
Normalmente, a vítima de tal situação é acometida de palpitações, de extremo cansaço, de ansiedade, de irritabilidade, de problemas digestivos, de crises de choro, de insônia, de dores de cabeça, de dores generalizadas e mal-estar. Em situações mais graves, pode incidir hipertensão, depressão, alcoolismo e tentativa de suicídio.
As mulheres são historicamente as maiores vítimas de assédio, tanto por questões culturais quanto por questões sociais. O machismo determinou por muitos anos o lugar da mulher na sociedade, o que, apesar da evolução das relações de trabalho, não impediu que as mesmas ampliassem com dificuldades sua participação e contribuição como mão de obra qualificada no mercado de trabalho contemporâneo. Como já foi dito, devido à luta dos movimentos feministas e de parlamentares. O Assedio Sexual foi tipificado no Código Penal. Assim, o Assédio Sexual é manifestado da seguinte forma: o assediador faz promessas de promoção, convites, cantadas, e propostas diversas com orientações sexuais. A rejeição desse assédio provoca a ira do assediador, que passa a perseguir e a discriminar a profissional no grupo.
A falta de tipificação faz com que as vítimas recorram a legislações esparsas, como: o Código Civil, o Código Penal e os Regulamentos de Conduta e os Códigos de Ética Profissional. O que dificulta um pouco a argumentação de defesa do assediado. A Constituição, em seu Art. 5º, inciso V, prevê indenização por dano moral, material ou à imagem.
Acredito ter alcançado meu objetivo: fornecer mais dados à discussão. Não fiz citações de alguns fragmentos transcritos porque o texto completo está à disposição de todos. Não sou um pesquisador do tema. Espero estar continuando esta conversa falando especificamente do assédio moral na PMBA. Para maiores informações acessem o site www.assediomoral.org.


















Outros registros importantes da existência das bandas de congo no século XIX, são: os do viajante francês Auguste François Biard (foto), e do Imperador Pedro II. Biard as descreve no seu livro de viagens, quando visitou Santa Cruz (atual município de Aracruz), em 1858. Destaca o seu encontro com indígenas por ocasião da Festa de São Benedito. O naturalista francês, encantado com a passagem do cortejo, registrou a cena em desenho, legando-a para a posteridade.
Sua Majestade Dom Pedro II, quando passou pela Vila de Nova Almeida, em 1860, fez questão de desenhar (foto) em seu diário, "o nosso reco-reco de cabeça esculpida, anotando-lhe, inclusive, o nome 'cassaca' ".
Em visita posterior à localidade de Fundão, o Bispo observou que à dança puramente indígena, "A dança é mui modesta e descente: consiste em algumas piruetas, sem saltos, elevação do pé estendido para diante, algum cruzamento de pernas, e sapateados"; (7) havia uma mistura de dança de negros, com mais animação: (...) Outros dançaram, (...) com saltos, muito cruzamento de pernas, que também às vezes separavam e logo uniam, e que outras vezes arqueavam. (..) Dois meninos dançavam assim com muita graça. Quando um acaba aponta outro, que deve apresentar-se pertinho dos guararás (tambores) e dali começa a dança." (8) Outra observação interessante sobre esse episódio ocorrido defronte a pequena capela do lugar, trata do processo ainda utilizado para afinação dos guararás (tambores), aquecendo as peles, próximo à uma fogueira, o que para o Bispo ficou algo incompreendido: "Fizeram uma boa fogueira, de cavacos, que pouco durou, e não fazia necessário porque a noite estava clara e fazia algum luar". (9)
Quando em 1951, comemorava-se o IV Centenário da Cidade de Vitória, foi realizada a primeira concentração de bandas de congo; nesse evento já se notavam diferenças entre os conjuntos. Segundo mestre Guilherme Santos Neves, a de Caieiras Velha (Santa Cruz), "conservava o instrumental mais rústico: os tambores (troncos ocos) e os cassacos não apresentavam a mesma forma dos outros, não sendo, na sua feitura, utilizados pregos, mas tarugos de madeira" (18), e à monotonia dos seus cânticos, compostos por dois ou quatro versos repetidos continuamente, remetem àqueles observados em 1880 pelo Bispo Pedro Maria Lacerda em Nova Almeida e Fundão. A cidade de Vitória esteva bem representada. A Banda de Congo Amores da Lua, das mais conhecidas, teve sua origem no Bairro Santa Marta, quando o ferroviário Alarico de Azevedo, a professora Jacinta Souza e o devoto de São Benedito Alfredo Manoel Silva se encontraram em 20 de março de 1945. Outra Banda participante foi a "Panela de Barro", fundada em 1938. O dono da banda (em 1982), era Arnaldo Gomes Ribeiro, proprietário da fábrica de panelas de barro em Goiabeiras, bairro da zona norte da capital. "Daí o nome Banda de Congo 'Panela de Barro' ". (19) Referência ao artesanato típico fabricado pelos seus integrantes, que é utilizado para preparar nossas delícias da arte culinária: moqueca e torta capixaba.
É uma das variações do reco-reco. A cabeça esculpida é que lhe dá o diferencial, fazendo dele um instrumento antropomórfico (de forma humana). Os congueiros esculpem uma cabeça humana no topo do instrumento, deixando o pescoço como local para segurá-la, enquanto o corpo , o casaco, é revestido com o reco-reco de madeira dentada, (esses instrumentos de percussão, são conhecidos como diáfonos, por possuirem a sonoridade própria do material com o qual foram fabricados, através de atrito ou fricção) .
Nas últimas décadas do século XX, simultaneamente à paralisação de alguns tradicionais conjuntos de Congo do Espírito Santo, por falta de instrumentos, organização e incentivos, surgiu um movimento em prol de sua valorização. Se hoje o Congo está vivo, e novas bandas estão em ação, devemos isso ao empenho de Mestre Antonio Rosa, que foi mestre da Banda de Congo de São Benedito da Serra/ES. Foi ele responsável por manter - pela permanência das tradicionais bandas de congo serranas - os segredos sobre a fabricação artesanal dos instrumentos utilizados pelas bandas, e pela formação de artesãos para a sua construção. Além deste incentivo auspicioso, foi também guardião de muitas histórias do Congo.
Mestre Antonio Rosa, lembrava sempre da figura do "tio Zé", José Maria da Silva, o autor da maioria das músicas de congo, e da mais famosa delas: "Madalena, Madalena", que ele fez para sua filha quando do seu nascimento. A música foi popularizada, através de sua gravação pelo sambista Martinho da Vila, que a escutou pela primeira vez na Barra do Jucu (Vila Velha), com a letra modificada, adaptada pela banda local, pois cada banda de congo possui suas características próprias, seja quanto aos versos das músicas, ao número de integrantes, aos instrumentos e as cores com que são pintados. A repercussão de "Madalena", chamou a atenção dos capixabas para a importância do congo, uma manifestação sem igual em todo o Brasil. 
